segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Justiça condena PMs envolvidos na tortura e morte de Amarildo

A Justiça divulgou a sentença que condena policiais militares envolvidos no desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza. Por enquanto, oito deles vão cumprir penas, a maior delas é de 13 anos e sete meses. O ajudante de pedreiro sumiu há dois anos e meio durante uma operação policial no Rio de Janeiro. Cartazes com a pergunta "Cadê Amarildo?" se espalharam pelo país.

A Justiça, agora, confirma tudo o que as investigações tinham descoberto. “Amarildo morreu, não resistiu à tortura que lhe empregaram. Foi assassinado. Vítima de uma cadeia de enganos. Vulnerável à ação policial. Negro, pobre, dentro de uma comunidade, à margem da sociedade”, essas são as palavras da juíza do caso, Daniela Alvarez Prado.

Ao todo 25 policiais da UPP da Rocinha foram denunciados. Oito foram condenados pelo crime de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. A maior pena foi para o comandante UPP, Major Edson Santos, 13 anos e 7 meses de prisão. O tenente Luiz Felipe de Medeiros, 10 anos e 7 meses. De acordo com a sentença, ele orquestrou o crime junto com major Edson. O soldado Douglas Roberto Vital Machado pegou 11 anos e 6 meses por ter atuado desde a captura de Amarildo até a morte dele. Os soldados Marlon Campos Reis, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Jairo da Conceição Ribas, Wellington Tavares da Silva e Fábio Brasil da Rocha da Graça forma condenados a 10 anos e 4 meses de prisão. Todos serão expulsos da Polícia Militar.

O caso Amarildo

O caso envolvendo o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza começou no dia 14 de julho de 2013. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha estavam atrás dele, pois achavam que Amarildo sabia onde os traficantes guardavam armas e drogas.

Eles levaram Amarildo, primeiro, até uma das bases da UPP, na parte baixa favela. Uma câmera registrou a última imagem dele: passava das 19h. Amarildo entrou num carro da PM, que subiu para a sede da UPP, no alto do morro.

O então comandante da unidade, major Edson Santos, sempre disse que Amarildo foi ouvido por poucos minutos e que depois saiu de lá a pé, sozinho. Mas a Polícia Civil e o MP não tiveram dúvidas que o major mentiu.

A conclusão dos investigadores, em outubro do mesmo ano, foi de que a tortura aconteceu atrás dos contêineres da UPP. O ajudante de pedreiro recebeu descargas elétricas, foi sufocado com sacos plásticos e afogado num balde por quase duas horas.

Vinte e cinco policiais militares foram denunciados por tortura seguida de morte. O então comandante da UPP, Major Edson Santos, quatro PMs que participaram diretamente da violência, 12 que ficaram de vigia e 8 que estavam dentro dos contêineres e não fizeram nada pra impedir o crime.

PMs que colaboraram com as investigações contaram que o major estava em um dos contêineres e que era possível ouvir gritos. Quando os gritos pararam, segundo eles, um policial entrou num almoxarifado e pegou uma capa de moto preta. Os promotores afirmaram que o corpo foi enrolado nessa capa.

Dos 25 réus, 16 também respondem por ocultação de cadáver. A polícia civil fez várias buscas na mata, mas nunca conseguiu encontrar o corpo de Amarildo de Souza.

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