quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Delação de lobista ligado a Dirceu pode ser anulada, segundo procuradores

<p>Fernando Moura apresentou contradições no curso do processo.</p>
A anulação do acordo de delação do lobista Fernando Moura por supostamente mentir no curso do processo já está dada como bastante provável pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, de acordo com o jornal Folha de São Paulo.

Moura contou à Polícia Federal a recomendação feita pelo ex-ministro José Dirceu para que fugisse do Brasil, no auge do escândalo do mensalão, como noticiado pela mesma publicação, na última quarta-feira (27).

O lobista também passou a isentar o empresário Licínio Machado, da Etesco, sobre o benefício de contratos milionários pela nomeação de Renato Duque para a diretoria de Serviços da Petrobras.

Também na última quarta-feira (27), procuradores da Lava Jato iniciaram o processo de apuração da violação do acordo.

Foi enviado uma intimação para a defesa de Moura com as explicações sobre as contradições entre os depoimentos na fase da investigação e no curso da ação penal. É o primeiro passo para a anulação do acordo de delação premiada.

Após isto, a Procuradoria vai decidir se pede ou não o cancelamento dos benefícios obtidos por Moura quando ele decidiu ser colaborador nas investigações.

Moura obteve, pela troca de informações sobre crimes, a garantia de condenação à pena unificada máxima de 8 anos de prisão, com apenas três meses em regime fechado –tempo que o delator já cumpriu preventivamente em Curitiba –e o direito de permanecer em casa em regime aberto diferenciado, pelo prazo máximo de 18 meses.

Para a Procuradoria, as versões são tão diferentes que configurariam a violação à cláusula que o obriga a "falar a verdade incondicionalmente", uma das hipóteses de anulação do acordo.

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