No dia seguinte ao encontro com o vice Michel Temer, em que o pemedebista sugeriu que o governo deve "ouvir mais" e "buscar um sentido de união", a presidente Dilma mudou de tom nas críticas à oposição. Em discurso, nesta quinta, durante evento público em Pernambuco, Dilma apelou por "ação conjunta", apesar das divergências. Até então, a presidente costumava repetir que a oposição investe no "quanto pior, melhor", e põe "interesses eleitorais acima dos do país".
"Em uma democracia, as pessoas podem divergir, discutir, se manifestar, falar que não concordam. Tudo isso não só é normal, mas é virtuoso" - discursou Dilma, durante inauguração de uma via expressa no Recife, obra do PAC. "Agora, nada disso nos impede de termos acordo, unidade, ação conjunta, sobre algumas questões que são importantes, para os pernambucanos, para os nordestinos, para os brasileiros", completou, sinalizando para uma flexibilização no tom e nos ataques a opositores.
O apelo por "ação conjunta" traduz a percepção de Temer de que, com a popularidade presidentecial na casa dos 9%, o governo tende ao imobilismo se não buscar o suporte de setores da sociedade, passando por cima de discordâncias pontuais e vencendo resistências. Dilma parece ter entendido o recado e recolheu os ataques a opositores, que colaboram para aprofundar o abismo de rejeição que hoje a separa até de seus eleitores não-petistas.
"A democracia tem essa flexibilidade, ela permite que ao mesmo tempo que você critica, reivindica, propõe, você esteja também, em algumas questões, capaz de agir em conjunto", insistiu Dilma. Num raciocínio muito parecido com o de Temer e poucas vezez refletido na atitude da presidente, completou: "nós somos capazes de agir em conjunto e perseguir o objetivo. Nós, hoje, precisamos muito dessa capacidade de ação comum de entendimento em algumas coisas, sem prejuízo da nossa liberdade de manifestar e de ter opinião diferente".
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